7 traços de pessoas que acreditam facilmente em fake news e desinformação online, segundo a psicologia

Você acha que identificar fake news seria fácil.

Se algo soa chocante ou absurdo demais para ser verdade, provavelmente não é—certo?

Bem, nem sempre. O cérebro humano funciona de maneiras que nos tornam surpreendentemente vulneráveis à desinformação. E no mundo de hoje, onde as notícias se espalham mais rápido do que nunca, muitas pessoas caem em histórias falsas ou enganosas sem nem perceber.

Mas por que isso acontece? O que faz algumas pessoas acreditarem mais facilmente em fake news do que outras?

Os psicólogos estudaram esse fenômeno e descobriram que certos traços de personalidade tornam uma pessoa mais propensa a cair em desinformação. Aqui estão sete deles.

1) Deixam as emoções guiarem seus julgamentos

As emoções são poderosas—e, às vezes, elas sobrepõem a lógica.

Quando vemos uma notícia que nos deixa com raiva, chocados ou esperançosos, é mais provável que acreditemos nela sem questionar sua veracidade. Isso acontece porque as emoções podem nublar nossa capacidade de pensar criticamente.

Pessoas que caem frequentemente em fake news costumam confiar mais em seus sentimentos do que em fatos. Se algo se encaixa no que elas já acreditam ou provoca uma reação emocional forte, elas assumem que deve ser verdade—sem parar para checar as informações.

2) Confiam em informações que confirmam o que já acreditam

Vou admitir—eu já caí em fake news antes.

Um tempo atrás, vi um artigo que reforçava perfeitamente algo que eu já acreditava sobre um político. Ele parecia muito mal na notícia, e honestamente? Nem pensei duas vezes antes de compartilhar. Parecia certo.

Mas depois descobri que a história não era verdadeira. Ela havia sido exagerada, tirada de contexto e completamente distorcida.

Fiquei envergonhado, mas percebi como é fácil acreditar em algo só porque queremos que seja verdade.

Pessoas que acreditam regularmente em desinformação fazem o mesmo.

Em vez de questionar uma notícia, elas a aceitam porque confirma o que já pensam. E num mundo onde os algoritmos das redes sociais nos mostram cada vez mais do que gostamos de ver, isso pode se tornar um ciclo perigoso.

3) Têm dificuldade em diferenciar fontes confiáveis de não confiáveis

Nem todas as fontes de notícias são iguais—mas nem todo mundo sabe diferenciar uma confiável de uma duvidosa.

Pesquisas mostram que muitas pessoas têm dificuldades para distinguir jornalismo de qualidade de fontes enganosas.

Na verdade, um estudo da Universidade de Stanford revelou que a maioria dos estudantes—nativos digitais que cresceram com a internet—não consegue diferenciar notícias reais de conteúdo patrocinado disfarçado de notícia.

E esse problema não se limita apenas aos jovens. Muitos adultos assumem que, se algo parece profissional ou tem muitos compartilhamentos, deve ser verdadeiro.

Mas, como a desinformação se espalha facilmente online, sem uma boa educação midiática, é fácil confundir notícias falsas com fatos.

4) Dependem demais das redes sociais para se informar

As redes sociais tornaram mais fácil acompanhar as notícias—mas também tornaram mais fácil ser enganado.

Muitas pessoas obtêm suas informações principalmente de plataformas como Facebook, X (antigo Twitter) ou TikTok, onde as histórias se espalham com base no engajamento, não na precisão. Quanto mais chocante ou emocional for um post, mais ele se torna viral—independentemente de ser verdadeiro ou não.

O problema é que as redes sociais não priorizam a checagem de fatos. Os algoritmos são projetados para manter as pessoas rolando a tela, muitas vezes mostrando conteúdos que reforçam suas crenças existentes.

E como as fake news podem se espalhar tão rápido—ou até mais rápido—do que as notícias reais, quem depende exclusivamente dessas plataformas está muito mais propenso a acreditar em desinformação.

5) Não gostam de lidar com incerteza

Eu entendo—sentir-se incerto é desconfortável. Ninguém gosta de não ter todas as respostas.

É por isso que muitas pessoas se apegam a explicações simples e diretas, mesmo quando a realidade é mais complexa. Fake news e desinformação muitas vezes fornecem respostas fáceis para questões complicadas, dando às pessoas um senso de certeza em um mundo incerto.

Já me peguei fazendo isso—preferindo histórias que tornam as coisas preto no branco, bem contra o mal, certo contra errado.

Mas a verdade raramente é tão simples. Pessoas que têm dificuldade em lidar com incerteza são mais propensas a acreditar em fake news porque elas oferecem algo concreto para se agarrar, mesmo que não seja verdade.

6) Acham que são inteligentes demais para cair em fake news

Você pensaria que ser confiante na própria inteligência tornaria alguém menos propenso a acreditar em desinformação. Mas, muitas vezes, acontece o oposto.

Pessoas que acreditam que são espertas demais para serem enganadas nem sempre se preocupam em verificar os fatos. Elas confiam tanto em seu próprio julgamento que não consideram a possibilidade de estarem erradas.

E, ironicamente, essa confiança excessiva as torna mais vulneráveis a informações falsas.

A verdade é que qualquer um pode cair em fake news. Inteligência não garante imunidade—na verdade, às vezes pode tornar as pessoas menos dispostas a questionar suas próprias crenças.

7) Dão mais valor a histórias do que a fatos

Os seres humanos são naturalmente atraídos por histórias. Elas são mais fáceis de lembrar do que dados brutos e moldam a maneira como vemos o mundo.

É por isso que as fake news são frequentemente apresentadas como narrativas envolventes—elas captam a atenção, despertam emoções e grudam na memória.

Mesmo quando os fatos não se sustentam, uma história bem contada parece verdadeira.

Pessoas que acreditam regularmente em desinformação muitas vezes priorizam uma boa narrativa em vez de provas concretas. Se algo soa convincente e se encaixa em uma visão maior que já acreditam, elas podem aceitar a história sem verificar se os detalhes realmente fazem sentido.

8) Não percebem que estão caindo nisso

Ninguém acha que é o tipo de pessoa que acredita em fake news.

E é exatamente isso que torna a desinformação tão poderosa.

A maioria das pessoas assume que são os outros que estão sendo enganados, enquanto elas próprias estão pensando criticamente. Mas os estudos mostram que a desinformação afeta todos—incluindo aqueles que acreditam que são muito atentos para serem enganados.

O maior motivo pelo qual as pessoas continuam caindo em fake news?

Elas não param para considerar que podem estar erradas.

Por que isso importa mais do que nunca

Se você chegou até aqui, provavelmente percebeu que acreditar em fake news não tem a ver com inteligência—tem a ver com a forma como pensamos, sentimos e processamos informações.

E em um mundo onde a desinformação se espalha mais rápido do que nunca, isso afeta todo mundo. Estudos mostram que notícias falsas se propagam muito mais longe e mais rápido do que a verdade, especialmente nas redes sociais.

Isso significa que mesmo os mais céticos estão constantemente expostos a informações enganosas.

A boa notícia? Consciência é o primeiro passo. Quanto mais entendemos por que as pessoas acreditam em fake news, melhor podemos resistir a elas—e talvez até ajudar os outros a fazerem o mesmo.

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